A retatrutida, nova substância da Eli Lilly, mostrou perda de peso de 24% em estudos clínicos, superando os resultados conhecidos do Ozempic e do Mounjaro. Entenda como funciona e o que isso representa para o tratamento da obesidade.
Quando o mundo já parecia acostumado com os resultados do Ozempic e do Mounjaro, uma nova substância apareceu nos estudos clínicos e fez todo mundo prestar atenção. A retatrutida, desenvolvida pela Eli Lilly, mostrou números de perda de peso que ainda não tinham sido registrados em ensaios com outros medicamentos da mesma classe. Não é exagero dizer que essa molécula está redesenhando o que a ciência considera possível no tratamento da obesidade.
O que é a retatrutida
A retatrutida é um peptídeo sintético que age como agonista triplo de receptores hormonais. Enquanto o Ozempic ativa principalmente o receptor do GLP-1, e o Mounjaro combina GLP-1 com GIP, essa substância vai além e também ativa o receptor do glucagon. Cada um desses hormônios tem um papel no controle do apetite e no metabolismo da glicose. Ao atuar nos três ao mesmo tempo, a retatrutida consegue um efeito combinado que nenhuma das gerações anteriores alcançou.
O mecanismo é relativamente direto de entender. O GLP-1 reduz a fome e retarda o esvaziamento do estômago. O GIP complementa essa ação e ajuda a modular a resposta inflamatória. O glucagon, por sua vez, influencia a forma como o corpo queima energia. Com os três receptores estimulados ao mesmo tempo, o resultado é uma redução de apetite mais intensa e um gasto energético mais elevado do que o observado com agonistas duplos.
Os dados que impressionaram a comunidade médica
O estudo de fase 2 publicado no New England Journal of Medicine revelou que participantes que receberam a dose mais alta de retatrutida perderam, em média, 24% do peso corporal ao longo de 48 semanas. Para colocar isso em perspectiva, o Ozempic costuma resultar em reduções ao redor de 15% a 20% no mesmo período, e o Mounjaro fica na faixa de 22% a 23% com uso prolongado. A diferença pode parecer pequena em termos percentuais, mas quando se trata de peso corporal, cada ponto representa quilos que fazem diferença real na saúde e na qualidade de vida.
Além da perda de peso em si, o estudo apontou melhorias significativas em marcadores metabólicos. A pressão arterial caiu, os níveis de triglicerídeos melhoraram e a resistência à insulina recuou de forma consistente. Esses dados são importantes porque mostram que o benefício não se limita ao número na balança. A substância parece contribuir para uma correção metabólica mais ampla, o que reduz riscos associados à obesidade como doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.
Outro dado que chamou atenção foi a velocidade da perda. Nos primeiros meses de tratamento, os participantes já apresentavam reduções expressivas, e a curva de perda de peso se manteve ascendente por quase um ano sem sinais claros de platô. Isso contrasta com o que muitos pacientes experimentam com medicamentos anteriores, onde a progressão tende a estabilizar mais cedo.
Como a retatrutida se compara de fato
Fazer comparações diretas entre medicamentos nunca é simples, porque os estudos têm desenhos diferentes e populações distintas. Ainda assim, os números disponíveis permitem traçar um panorama razoável. O Ozempic, baseado em semaglutida, é o mais conhecido dessa geração e estabeleceu um novo padrão quando foi aprovado para tratamento de obesidade. O Mounjaro, com tirzepatida (agonista dupla de GLP-1 e GIP), veio como evolução e mostrou resultados superiores em diversos ensaios.
A retatrutida surge agora como potencial próxima fronteira. A principal vantagem aparente está na magnitude da perda de peso e na abrangência dos benefícios metabólicos. Mas vale ressaltar que ainda estamos falando de dados de fase 2. A substância precisa completar os estudos de fase 3 para que as aprovações aconteçam e o medicamento chegue de fato ao mercado. Esse processo pode levar ainda alguns anos.
Os efeitos colaterais observados são semelhantes aos dos medicamentos já aprovados. Náusea, diarreia e constipação lideram a lista, especialmente nas primeiras semanas de uso, quando o corpo ainda está se ajustando. Esses efeitos tendem a diminuir com o tempo, mas qualquer decisão de iniciar o tratamento deve ser tomada com acompanhamento médico rigoroso. Automedicação com qualquer medicamento dessa classe representa riscos sérios.
O papel do acompanhamento profissional
Esses resultados abrem portas para quem enfrenta dificuldade real com a perda de peso e não conseguiu resultados suficientes apenas com mudanças no estilo de vida. Mas a empolgação com os números não elimina a necessidade de um plano estruturado. O tratamento com agonistas de GLP-1, incluindo a retatrutida quando estiver disponível, funciona melhor quando combinado com alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
Ferramentas de suporte ao paciente podem fazer diferença nesse processo. O Ozempro oferece um quiz que ajuda a identificar qual abordagem pode ser mais adequada para cada perfil, e você pode responder esse questionário direto por aqui. Muitas pessoas começam um tratamento sem ter clareza sobre seus próprios hábitos e métricas de saúde, e um direcionamento inicial baseado em dados concretos evita走得冤枉. O app também auxilia no acompanhamento diário, registrando sintomas e helping users stay aligned with their plan even quando a motivação oscila.
O que vem pela frente
A Eli Lilly ainda não anunciou prazos específicos para a submissão à FDA ou à ANVISA, mas os resultados de fase 3 são esperados com grande expectativa. Se os dados se confirmarem, a retatrutida pode se tornar a opção mais eficaz disponível para tratamento de obesidade quando comparada ao que existe hoje no mercado. Isso não significa que todos os pacientes devam buscar esse medicamento específico, mas sim que a tendência é de opções cada vez mais personalizadas e eficazes no futuro próximo.
Para quem acompanha o campo da endocrinologia e do tratamento da obesidade, o momento atual é particularmente interessante. A velocidade das descobertas nos últimos anos sugere que o padrão de cuidado vai continuar evoluindo. A perda de peso deixou de ser tratada exclusivamente como uma questão de força de vontade, e a ciência finalmente oferece alternativas farmacológicas com eficácia comprovada.
Manter-se informado sobre essas evoluções é parte importante do processo, especialmente se você está considerando iniciar um tratamento. As opções disponíveis hoje já são significativamente melhores do que eram há cinco anos, e a tendência é que melhorem ainda mais. O fundamental é buscar orientação profissional, entender o próprio corpo e tomar decisões baseadas em evidências concretas.
Referências
- Jastreboff AM, et al. Retatrutide for Weight Management. New England Journal of Medicine, 2023. https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa2301972
- Eli Lilly. Lilly's tirzepatide achieved superior weight loss versus semaglutide in head-to-head SURMOUNT-5 phase 3 trial. Lilly Newsroom, 2024. https://investor.lilly.com/news-releases/news-release-details/lillys-tirzepatide-achieved-superior-weight-loss-versus-semaglutide
- Garvey WT, et al. Retatrutide, a novel agonist of GLP-1, GIP and glucagon receptors, for the treatment of obesity. The Lancet, 2023. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(23)01320-3/fulltext
- FDA. GLP-1 Agonists for Weight Loss: Current Evidence and Regulatory Considerations. FDA.gov, 2024. https://www.fda.gov/consumers/minority-health-and-health-equity/glp1-agonists-weight-loss
- Wilding JPH, et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity: the STEP 1 trial. Nature Medicine, 2021. https://www.nature.com/articles/s41591-021-01226-8
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
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