O ensaio SURMOUNT-5 comparou diretamente Tirzepatida e Semaglutida para perda de peso. Veja qual GLP-1 teve melhores resultados.
Quando dois remédios aparecem lado a lado na mesma prateleira da farmácia, a dúvida faz sentido. Mounjaro e Ozempic prometem ajudar no controle do apetite e na perda de peso. Mas qual deles realmente entrega mais?
O ensaio SURMOUNT-5 respondeu essa pergunta de forma direta, colocando os dois medicamentos um contra o outro pela primeira vez em um estudo clínico de grande escala. Se você já tomou Ozempic ou Mounjaro, se conhece alguém que toma, ou se está tentando decidir junto com seu médico qual caminho seguir, este comparativo foi feito pra você.
O que foi o SURMOUNT-5
O SURMOUNT-5 foi um ensaio clínico de fase 3b, randomizado e aberto, conduzido pela Eli Lilly. Em termos mais simples: os pesquisadores pegaram pessoas com obesidade ou overweight (com pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso), sortearam quem usaria tirzepatida e quem usaria semaglutida, e acompanharam os resultados durante 72 semanas.
Cerca de 1.500 adultos participaram. A idade média ficava em torno dos 48 anos, e o peso inicial rondava os 100 kg. Nenhum participante tinha diagnóstico de diabetes tipo 2. Todos passaram por avaliação médica antes de iniciar o tratamento.
Como cada remédio funciona no corpo
Antes de entrar nos números, vale a pena entender a diferença entre os dois, porque ela explica muito do que veio depois.
A semaglutida (Ozempic) age como um agonista do receptor de GLP-1. Esse hormônio é produzido no intestino depois que você come e manda sinais de saciedade para o cérebro. A semaglutida imita essa ação, reduzindo a fome de forma eficaz.
A tirzepatida (Mounjaro) vai um passo além. Ela é um agonista duplo, que ativa tanto o receptor de GLP-1 quanto o receptor de GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). Na prática, isso significa que a tirzepatida aproveita dois canais de sinalização ao mesmo tempo para controlar o apetite e melhorar o metabolismo.
Essa dupla ação é o que muitos pesquisadores consideram a razão principal pela qual a tirzepatida costuma mostrar resultados superiores em termos de perda de peso.
Resultados do comparativo direto: os números
Aqui é onde a coisa fica mais interessante. Depois de 72 semanas de tratamento, os participantes que usaram tirzepatida perderam em média 22,8% do peso corporal. No grupo da semaglutida, a perda média ficou em torno de 16,1%.
A diferença parece modesta quando você lê depressa, mas na prática ela é expressiva. Para alguém que pesa 100 kg, essa diferença representa quase 7 kg a mais de perda de peso com tirzepatida do que com semaglutida.
Olhando por outro ângulo: 63,7% dos participantes que usaram tirzepatida conseguiram perder pelo menos 15% do peso inicial. No grupo da semaglutida, esse número ficou em 40,8%.
Resultados assim não acontecem da noite para o dia. O tratamento nos dois braços do estudo começou com dose baixa e foi escalando ao longo das primeiras semanas até atingir a dose máxima tolerada. Esse processo de titulação existe justamente para dar ao corpo tempo de se adaptar e reduzir efeitos colaterais.
Efeitos colaterais: o que esperar
Ambos os medicamentos compartilham um perfil de efeitos adversos semelhante, porque funcionam por mecanismos relacionados.
Os mais comuns foram:
- Náusea (especialmente no início do tratamento)
- Diarreia
- Vômito
- Constipação
- Dor de cabeça
No SURMOUNT-5, a taxa de descontinuação por efeitos adversos foi baixa nos dois grupos, mas o grupo da tirzepatida teve uma taxa ligeiramente mais alta de náusea e diarreia. Nada que comprometa o uso, mas é o tipo de informação que ajuda você a não se assustar se sentir mais enjoo no começo.
Manter um diário de como você se sente ao longo das semanas é uma estratégia simples e eficiente. Muitos usuários relatam que perceberam padrões claros entre a dose da semana e os dias de mais mal-estar, o que permite ajustar horários, alimentação e hidratação de forma proativa.
Tempo de uso e sustentabilidade
Um dado que costuma passar despercebido nos debates online é o seguinte: os estudos clínicos acompanharam os participantes por 72 semanas, quase um ano e meio. Isso é um período considerável.
Muita gente começa um tratamento com GLP-1 e espera resultados rápidos. A realidade é outra. As perdas de peso mais expressivas tendem a acontecer entre a semana 20 e a semana 40 de uso. Depois disso, o corpo encontra um novo equilíbrio.
Quando você para de usar o medicamento, existe o risco de recuperar parte do peso perdido. Isso não é um defeito do tratamento, é a biologia do corpo respondendo à ausência do sinal de saciedade. Por isso, qualquer decisão de pausar ou interromper o uso deve ser conversada com o médico que prescreveu.
Acompanhamento médico regular faz diferença real aqui. Não é só sobre prescrever a próxima caneta. É sobre avaliar evolução, ajustar dose, identificar efeitos que passam despercebidos no dia a dia e decidir junto com o paciente o que funciona melhor naquele momento.
Insight prático: o detalhe da dose máxima
Aqui vai algo que poucos posts mencionam e que pode fazer diferença na sua decisão.
A semaglutida (Ozempic) atinge dose máxima de 2,4 mg semanais. A tirzepatida (Mounjaro) pode chegar a 15 mg semanais. A dose mais alta não significa necessariamente mais efeitos colaterais, porque o escalonamento é feito aos poucos.
Porém, existe uma implicação prática: se você está usando Ozempic e não está obtendo resultados satisfatórios na dose de 2,4 mg, aquela é a dose máxima disponível para aquele medicamento. Com Mounjaro, ainda há espaço para aumentar. Esse detalhe importa na conversa com seu médico, especialmente se você já está há algum tempo em tratamento e sente que estancou.
Quem utiliza aplicativos de acompanhamento para registrar peso, doses e sintomas ganha mais subsídios para esse tipo de conversa. O Ozempro, por exemplo, permite registrar cada aplicação e notar padrões ao longo das semanas, facilitando identificar quando o corpo parou de responder como antes. Se você quer entender como esse acompanhamento funciona na prática, confira nessa página um quiz rápido que mostra o que monitorar durante o tratamento.
Qual escolher?
Não existe uma resposta única que valha para todo mundo. A escolha depende de fatores como histórico de saúde, tolerância a efeitos colaterais, objetivo de perda de peso, custo do tratamento e orientação médica.
O que o SURMOUNT-5 deixou claro é que, em termos de magnitude de perda de peso, a tirzepatida superou a semaglutida de forma consistente e significativa. Mas semaglutida continua sendo um medicamento eficaz, com mais anos de uso no mercado e perfil de segurança amplamente documentado.
O fundamental mesmo é: não tome essa decisão sozinho. Medicina de verdade é feita com acompanhamento, e qualquer um desses dois caminhos pode ser o certo dependendo do quadro clínico de cada pessoa.
Conclusão
O ensaio SURMOUNT-5 colocou números concretos no que muitos profissionais da saúde já observavam na prática: a tirzepatida tende a produzir perdas de peso maiores do que a semaglutida quando comparadas diretamente. A diferença de quase 7 pontos percentuais na perda de peso média não é trivial.
Na hora de escolher entre Mounjaro e Ozempic, o mais inteligente é levar em conta o panorama completo: o quanto você precisa perder, como seu corpo responde aos medicamentos, quais efeitos colaterais você tolera melhor, e o que faz sentido dentro da sua rotina.
A perda de peso sustentada acontece no longo prazo, com acompanhamento e consistência. Esses remédios são ferramentas poderosas, mas funcionam melhor quando inseridos em um contexto maior de cuidado com a saúde.
Referências
- ensaio SURMOUNT-5 (Eli Lilly). ClinicalTrials.gov. [fonte a confirmar]
- Jastreboff AM et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. N Engl J Med. 2022. [fonte a confirmar]
- Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med. 2021. [fonte a confirmar]
- FDA. Zepbound (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida): informações de prescrição. [fonte a confirmar]
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
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